sábado, 5 de fevereiro de 2011

Centro direita será "penalizado" pelos eleitores se provocar crise política antes de 2013, diz Silva Pereira

Porto, 05 fev (Lusa)

O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, alertou hoje os “partidos do centro direita” que, se provocarem uma crise política antes de 2013, correm “um risco político sério” e serão “penalizados” pelos eleitores.

Falando perante uma plateia de várias dezenas de militantes socialistas da Área Metropolitana do Porto, Silva Pereira apontou “três factos políticos” que marcaram pela positiva o início de 2011 e que penalizarão quem tentar precipitar eleições legislativas: os “bons resultados” na execução orçamental de 2010, o facto de as emissões de dívida pública “contrariarem as previsões mais pessimistas” e a circunstância de as eleições presidenciais “não terem lançado uma onda de direita que anunciasse um novo ciclo político”.

“Estes três factos políticos são tudo indicadores de que o cenário de uma crise política é um risco não apenas evidentemente para o país (que precisa de estabilidade política), mas também um risco político sério para os partidos do centro direita, na medida em que uma crise política inconveniente antes do final da legislatura significa uma penalização que os eleitores não deixarão de fazer em relação a esses partidos
”, sustentou o ministro.

Para Silva Pereira, “se o centro direita se quer constituir como alternativa política tem que pedalar a sua própria bicicleta” e o facto é que “ainda tem muito que pedalar para se poder apresentar como uma alternativa credível que os portugueses possam reconhecer”.

A este propósito, o ministro da Presidência lamentou que, à direita, apenas se veja “a multiplicação de cenários de crise política” para 2011, numa atitude que classificou como sendo “quase um terrorismo” político.

“Parece que o grande tema da direita é saber se a crise política deve ser provocada antes ou depois do orçamento para 2012 e quais são as condições que deve pôr em cima da mesa para haver ou não uma crise política, e aí a criatividade é imensa”, criticou.

Por outro lado, Silva Pereira denunciou “uma grande ausência de alternativas da parte da direita, que se pretende constituir em alternativa sem apresentar propostas ou soluções para os problemas do país”.

Apesar das poucas propostas da direita que diz serem conhecidas, o ministro sustenta que “a alternativa que se desenha é muito clara em alguns aspetos essenciais”.

Para isso, disse, “basta olhar para os três sinais muito fortes da agenda da direita: o projeto de revisão constitucional do PSD (fim da justa causa como garantia constitucional a propósito dos despedimentos, fim da gratuitidade como princípio geral do Serviço Nacional de Saúde e fim da missão do Estado de assegurar uma rede pública de educação) e as propostas de Passos Coelho de extinção das empresas públicas deficitárias e de cortes nos passes sociais”.

Uma “agenda” que considerou “perigosa, liberal e muito irrefletida e impensada” e “contra a qual o PS pode e deve bater-se”.

PD/Lusa

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